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terça-feira, 16 de março de 2010

Quanto vale a fé?

Ultimamente tenho visto um verdadeiro programa de tele-vendas em canais religiosos. Vou citar a Igreja Mundial como exemplo. Sabemos que as madrugadas estão dominadas por pastores na televisão. Você muda de canal e vê um pastor pregando, no outro passa algum filme repetido, adiante mais outro pastor, e por aí vai. Mas uma coisa me chamou e muito a minha atenção.



Um cajado de plástico com um óleo, ou azeite, sei lá o que é aquilo, inserido, é prometido com uma benção. Para adquirir esse cajado (que na fábrica deve custar 10 vezes menos) a pessoa terá que desembolsar nada menos do que R$100,00.

Aí eu fico pensando: nos dias de hoje, a fé está sendo comercializada. Ora, se estão ofertando um cajado de plástico com óleo de cozinha prometendo milagres, eu posso pegar uma pedra, dizer que esta tem o poder de curar o câncer e cobrar o valor que eu quero. A pessoa pode receber alguma cura, ou benção com essa pedra? Talvez, mesmo sendo muito improvável. Mas não foi a pedra, e sim a fé daquela pessoa que possibilitou esta conquista. Os próprios pastores evangélicos pregam muito isso. Tem que ter fé.

Mas uma coisa é você receber alguma benção diretamente da fé do que depositar fé em um objeto e ainda ter que pagar por isso.

Exemplo: se alguém pretende buscar um emprego, mas vê que a coisa está difícil, recorre a alguma igreja e lá dizem que somente com a "garrafa sagrada" você terá o que procura, mas terá que pagar uma quantia por isso. A pessoa paga, leva a garrafa para casa, e no outro dia ela consegue seu tão querido emprego. Agora, foi a garrafa que trouxe o emprego? Uma garrafa tem todo esse poder? Claro que não! Foi a confiança dessa pessoa que proporcionou a sua conquista. Se quisesse, esta pegaria qualquer coisa, depositaria fé nela e mesmo assim poderia obter o que queria. Sem precisar pagar absolutamente nada. Quem não captou a mensagem favor comentar logo abaixo, rs.

Na minha concepção, isso é comercializar a fé alheia. Normal para uma igreja que é comandada por um ex pastor da IURD. Pastor este que também acusa o líder de sua concorrente de vários crimes. Aprendeu muito, hein?

Toalhinhas, bálsamo, chaves, cajados...será que tudo isso tem poder? Pode até ter. Mas é o que eu estou dizendo: é a fé que é depositada nesses objetos que pode trazer a benção. São objetos inanimados, sem nenhum poder de cura, que são oferecidos a preços exorbitantes. Dizem que ninguém é obrigado a adquirir estes objetos. Mas sempre conseguem convencer. Com a lábia.

Podem até achar que eu persigo os evangélicos. Não é isso. Apenas condeno estas práticas impostas pelos líderes evangélicos. Gosto de observar certas coisas com bastante atenção.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Compra de horários na televisão

Hoje em dia, quando alguém está assistindo televisão, é muito fácil se deparar com programas religiosos, em sua maioria pentecostais, nas emissoras de televisão. É Igreja disso, igreja daquilo, e por aí vai.

Sou totalmente contra a venda de horários nas emissoras de televisão. Seja para igrejas, empresas de vendas, joguinhos patéticos de azar (aquele que você liga e "torra" a sua conta telefônica em perguntas bobas) entre outros do gênero.

Eu parto do seguinte pressuposto: Quando alguém deseja ter uma emissora de televisão, a mesma deverá adquirir uma concessão do governo federal para poder iniciar suas operações. Andei pesquisando a respeito na internet e para que se ganhe uma concessão, a empresa (ou empresário) deve ter no minímo 70% do capital nas mãos de acionistas brasileiros e respeitar o limite de controle de até dez estações em todo o país, sendo no máximo duas por estado e cinco em VHF (não entram na conta as retransmissoras). Aí uma comissão do Ministério das Comunicações ( a parte mais interessante para mim) analisa sua proposta de programação e sua condição técnica e financeira, dando pontos em diferentes quesitos. Quem tiver a melhor média de pontos fica com a concessão, ganhando o direito de explorar determinado canal por um período pré-definido e, ao final dele, passa por uma nova análise.


Já que o Ministério das Comunicações analisa a proposta de programação da emissora, ou seja, se eu quero que minha emissora tenha uma programação voltada para cultura, entretenimento, notícias e esporte, essa comissão analisará a linha de programação que propus e se os outros requisitos forem cumpridos, terei a concessão.

Mas se eu apresentasse a seguinte proposta: Vender boa parte do horário de programação para igrejas e canais de vendas. Caso os demais requisitos também sejam cumpridos, quem sabe eu iniciava as operações de minha emissora.

Acho que, por exemplo, uma igreja queira ter espaço na televisão, que vá ao Ministério das Comunicações pedir uma concessão para ela exibir seus programas. Já que a concessão é cedida pelo governo, as emissoras detentoras não deveriam vender horários. Fica uma coisa meio que ditatorial. O telespectador pretende assistir algum programa em uma determinada emissora e quando ele sintoniza o canal se depara com uma programação religiosa ou de vendas, em que ele se sente "forçado" a dar audiência naquilo para não perder o programa que vem a seguir.

No caso das Igrejas Pentecostais, com certeza, boa parte delas teria condições para ganhar uma concessão. Volto a frisar. Para mim, algumas (eu falei ALGUMAS) dessas igrejas são verdadeiros "bancos" (leia-se IURD), que utilizam a palavra de Deus como fachada para realizar suas transições financeiras.
Então já cumpririam fácil, fácil, uma das exigências: "[...] condição técnica e financeira [...]". Então seria melhor que procurassem adquirir logo seu aval para autorização de uma emissora do que comprar horários (tem igreja que tem 23 horas de programação comprados!).

Não estou demonstrando nenhuma forma de preconceito contra evangélicos. Apenas expressei minha opinião.

Abraço a todos.